quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sobre a pequenez internacional, bairrismo gaúcho e o corinthianismo perdido

Defender o chororô do Rio Grande do Sul é, corinthianistamente falando, um tiro em nossa história.

Basta avaliar um pouquinho da história de nossos confrontos - em campo e fora - para saber que o comentário que rolou em nosso telão depois da vitória de sábado não somente foi bem vindo e pertinente. E também foi pouco.

Foi pouco porque o time que o Seu Adenor defende é o mesmo da covardia de 1976, quando, uma semana depois do time do povo tomar o Maracanã, nossos jogadores tiveram água e comida sob suspeita de envenenamento no hotel, estabelecimento que foi bairristamente conivente com a farra dos rojões na madrugada que antecedeu a decisão, o vestiário visitante foi infestado por produtos químicos e teve o piso alagado e a água cortada. Isso para não falar no sempre suspeito Wright apitando o jogo, mesmo sendo notoriamente avesso ao Corinthians; no jogo, tivemos um gol legítimo anulado quando o pleito, em decisão em jogo único, estava empatado.

Foi pouco porque essa porcaria vermelha, novamente tentando vencer uma final fora de campo, fez toda aquela molecagem de um DVD que, na véspera da final da Copa do Brasil de 2009, tinha como único objetivo desqualificar o Corinthians, amplamente superior naquele campeonato, às vésperas da decisão.

O primeiro caso deu certo para o escrete sulista; o segundo foi a quebrada na cara que gerou a piada que agora é combatida por quem deveria, seja pelo dever moral por ostentar nosso manto, seja pelo dever laboral de funcionário do clube, defender o Corinthians acima de todas as coisas.

Não foi o que aconteceu. Que os chorolados voltassem para o sul com o couro ardendo pela derrota e pelo #poenodvd que ressoou Brasil afora, seria normal. Que a imprensa abutre fizesse sensacionalismo em cima, nada fora do padrão médio de tratamento que nos é costumeiramente dado. Que jogadores deles tentassem usar isso como motivação para o segundo turno do torneio do Eurico, seria tudo da bola.

Agora, que nosso treinador venha a público condenar uma brincadeira que faz parte do futebol, que não tentou expor o time, jogadores ou torcedores do pequeno vermelho no cenário do futebol, que não criminalizou ninguém como fomos criminalizados no caso do DVD, e que não envolveu nenhum tipo de violência como o episódio da decisão de 76, isso não se pode admitir.

Se o Adenor não aceita que ataquem os sulistas, que não trabalhe fora de seu Estado. Se é pessoal com o time, que trabalhe por lá, se é que o querem. Mas aceitar que o treinador do Corinthians jogue contra a própria instituição, isso jamais. Ele, como boleiro que é, sabe muito bem o que é e o que não é saudável nas relações boleiras, e sabe melhor ainda que a rivalidade que envolve o episódio não somente faz parte do mundo da bola, como é o que move o futebol ao redor do mundo. Acontece e vai acontecer, porque isso é futebol.

E pior: quando o treinador usa seu teatro para derrubar um funcionário que não fez nada de mais, ataca toda a classe maloqueira e sofredora corinthiana. Que nosso presidente é um banana manipulável, isso não é segredo, Que tal energúmeno se deixaria levar pela arte cênica de boa praça do treineiro, jamais se pode aceitar.

Num histórico de ataques que sofremos das bibas do sul, e aqui nem entrei na celeuma de entrega de jogo para nos prejudicar, responder com sutileza e pontualidade, como no caso do telão, é uma demonstração de grandeza, de sabedoria e de oportunismo.

Aliás, vale conjecturar o que teme nosso treinador quando defende o rival. Perrengue em jogo fora quem passa é a fiel, com a viagem de 20 horas até o sul, o charco da beira do rio para chegar no setor de visitante, o tratamento local, as gerais na estrada... Nada disso atinge o blindado treinador e seu elenco intocável.

Na opinião deste humilde blog, uma campana nos corredores do PSJ até a reintegração do funcionário demitido e uma retratação pública do treineiro e do presidente do clube, aparentemente subordinado ao primeiro, é justo e necessário. É Corinthians.


(note que não falamos sobre o estádio na cor do verme inimigo no sul. Entendemos que quando um time de tão longe, por puro recalque, coloca em seu próprio estádio uma cor tão nada a ver, para não homenagear nada que tenha que ver com sua história, e sim tentar tocar nossos pés, somente nos engrandece....    na verdade, e com toda a sinceridade do mundo, somente vimos a saber de tal façanha agora, tão insignificante é o inter e suas proezas para este blog...)


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