terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Formigueiro - ano II, n. 20

O Formigueiro - Ano II – No. 20 - 22/08/2011

(Boletim oficial da Associação Nacional dos Torcedores)
Site oficial (para inscrever-se como associado) http://torcedores.org
E-mail: associaonacionaldostorcedores@gmail.com
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Twitter: @ANTorcedores
Rede social: http://formigueiro.ning.com
Youtube: http://www.youtube.com/user/tvformigueiro

"Sem torcedor não há futebol, sem futebol não há alegria"

“Don’t follow leaders”

(Bob Dylan)

Pontapé inicial:

Depois de alguns meses sem ser publicado, retomamos o nosso “O Formigueiro”, boletim informativo da Associação Nacional dos Torcedores.

Mas, como era de se esperar, infelizmente ainda não podemos ver nenhuma mudança no mundo do futebol.

O calendário do futebol brasileiro continua caótico, e o confronto entre os dois líderes do Campeonato Brasileiro pode acontecer sem a presença de dois de seus principais jogadores, cedidos à seleção brasileira, para um amistoso contra Gana.

Outra coisa que continua igual é que, após um pequeno impasse, a Rede Globo manteve a exclusividade dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol para a TV aberta, e certamente continuará expondo os torcedores aos horários que lhe interessam.

No dia 30 de julho, a ANT participou, em diversos estados, da Marcha por uma Copa do Povo (houve pequenas diferenças nos nomes).

Foram atos unificados realizados em diversas cidades brasileiras para protestar contra os mega-eventos e os impactos que já vêm ao causando ao Brasil: remoções, privatização de serviços públicos essenciais, escândalos de corrupção. Convocadas pelos comitês populares da Copa locais, as manifestações contaram com a presença
de milhares de pessoas e reunindo ativistas de diversos movimentos sociais.

Nas obras para a Copa do Mundo, temos uma novidade. Os trabalhadores começam a se levantar contra as péssimas condições a que são submetidos. Há semanas, houve greve em Belo Horizonte, e agora há uma greve no Rio de Janeiro, feita pelos trabalhadores da obra do Maracanã. Esperamos que tenham vitórias importantes.

Um abraço de formiga e de torcedor,

Alvaro Neiva (editor-torcedor temporário de O Formigueiro)



Ganhando a guerra da informação ... (ANT na mídia)

- Chris Gaffney deu uma bela entrevista à revista Carta Capital: “Copa do Mundo e Olimpíada”, investimento público, lucro privado. Confira: http://bit.ly/mOvRk1




PALAVRA DE FORMIGA

(ARTIGOS ESCRITOS POR NOSSOS ASSOCIADOS)

O que esperar da guerra entre os clubes europeus e a UEFA?

Desenha-se na Europa um novo momento no futebol. Ou pelo menos novos donos.
Por Irlan Simões, colaborador de Outras Palavras

O primeiro semestre do ano de 2011 marcará a história do futebol brasileiro como o período que viveu um dos maiores conflitos entre os grandes clubes do país, organizados em torno do Clube dos 13, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Após uma série de idas e vindas, a última palavra pertenceu mais uma vez à maior empresa de comunicação do Brasil, a Rede Globo, que como nos últimos 20 anos, manteve o seu poder quase pleno sobre o esporte mais amado do país. Essa briga, e essa disputa de interesses, no entanto, não são uma exclusividade do futebol brasileiro.

Nos meses de Junho e Julho de 2011, o mundo presenciou o momento mais tenso de outra guerra que se arrastava há anos: o conflito entre os interesses dos grandes clubes Europeus, em contraste com os desmandos arbitrários da União Europeia de Futebol (UEFA) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA). A importância de compreender os fenômenos políticos que se manifestam hoje no futebol europeu é imensa, uma vez que as transformações protagonizadas pela Europa chegam ao futebol brasileiro com um atraso mínimo de dez anos.

A associação entre os grandes clubes

O ponto de partida para entender tal atrito é a criação do G14. O Grupo dos 14, que reuniu os maiores clubes europeus, surgiu na tentativa de impor mudanças com relação às normas em torno da internacionalização dos atletas. Capitaneados pelo mirabolante presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, o grupo chegou a um acordo de paz com a FIFA ainda no ano de 2008.

De lá para cá, num curto intervalo de tempo, muita coisa mudou: os principais clubes ingleses, por exemplo, foram todos privatizados, as cifras do mundo da bola cresceram consideravelmente e a FIFA e a UEFA se envolveram em consecutivos escândalos de corrupção. Como afirmou o antigo presidente do G14, Thomaz Kurth: “Os clubes estão muito mais fortes hoje do que já estiveram no passado”. Kurth também acredita que hoje as entidades que governam o futebol “deram demasiadas justificativas para que se questionassem suas medidas”. (link http://www.nytimes.com/2011/07/30/sports/soccer/
30iht-fifa30.html)

É isso que tem de fato dado força aos clubes mais ricos da maior indústria do futebol mundial. Reunidos desde 2008 em torno da Associação dos Clubes Europeus (European Clubs Association, a ECA), a ofensiva desse grupo cresceu em notoriedade e agressividade. A ECA hoje agrega 197 clubes de todo o continente, dirigidos por nove principais clubes: Real Madrid, Barcelona, Milan, Internazionale, Liverpool, Manchester United, Chelsea, Arsenal e o Bayern Munich, clube dirigido pelo então presidente da Associação, Karl-Heinz Rummenigge.(link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/27/european-clubs-breakaway-fifa-
uefa)

Uma Assembleia da ECA em Genova, no início do ano de 2011, cumpriu discutiu os encaminhamentos de tais clubes diante das medidas planejadas pela FIFA de expandir os jogos amistosos internacionais e de promover a Copa do Mundo do Qatar 2022, no período do inverno. Esses dois pontos ferem os interesses das agremiações, uma vez que as mesmas são obrigados a manter os pagamentos dos jogadores utilizados pelas seleções nacionais, mesmo correndo o risco de perdê-los por lesões, inclusive no meio das temporadas européias.

“Nós apelamos para que a UEFA garanta que um mesmo jogador não possa ser convocado para dois torneios internacionais diferentes”, afirmou Umberto Gandini, vice-presidente da ECA e dirigente do Milan, em fevereiro de 2011, logo após a Assembleia da Associação. “Esperamos que possamos discutir sobre isso sem entrar em conflito como fizemos em 2008”, concluiu. (link http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/olympic_games/london_2012/9391653.stm).

Os baluartes da ética?

A ECA, a partir desses casos, tem propagado uma intensa campanha de questionamento sobre a “democracia no futebol”, e qual o espaço de deliberação que os clubes tem para definir os rumos do futebol. As arbitrariedades cometidas pela FIFA e UEFA, de fato, seguem uma lógica de manutenção dos grupos de poder que controlam as entidades governantes há anos: garantindo mais vagas para continentes específicos na Copa do Mundo, ou para clubes de certos países na Champions League, os atuais dirigentes garantem também o voto daquelas federações e clubes que os manterão no poder.

“Será que eles estão aptos a nos representar?”, foi o que afirmou Rummenigge, pouco após a reeleição de Sepp Blatter enquanto único candidato à presidência da FIFA. Foi juntando esse esquema corrupto de tráfico de influencia com a sequência interminável de casos de improbidade administrativa, propinas e manipulações de resultados levados a público, que a ECA viu um terreno fértil para avançar na sua batalha pela deslegitimação da FIFA e da UEFA.

Apenas nos últimos dois anos, 9 membros do conselho executivo da FIFA foram banidos por envolvimento com atividades ilegais no comando da Federação. Mais recentemente, o presidente da Concacaf, também caiu em denúncias sobre suborno de árbitros. (link http://www.nytimes.com/2011/07/30/sports/soccer/30iht-fifa30.html)

A partir daí, foram consecutivos os ataques e avanços da ECA. Em Outubro deverá acontecer uma reunião articulada por Rummenigge, presidente da Associação, com Ministros dos Esportes de 27 países europeus. Nas palavras de Dennis Abott, enquanto representante de Androulla Vassiliou, Comissária de Esportes da União Européia, as autoridades nacionais foram convidadas para discutir, num encontro que acontecerá em Cracóvia, na Polônia, a “boa governança dos esportes”, tema que levará aos recentes casos de corrupção na FIFA. Momento mais do que oportuno para o avanço da ECA. (link http://www.nytimes.com/2011/07/30/sports/soccer/30iht-fifa30.html)

Hoje se sabe bem que tais entidades não são passíveis de intervenções estatais, pois são de direito privado. Há, inclusive, uma deliberação da FIFA de suspender Federação nacional onde isso ocorrer, com o propósito de “protegê-las”. Realidade da qual os mandantes da ECA provavelmente estão cientes, mas compreendendo que uma intervenção no âmbito jurídico para punir os principais dirigentes da FIFA e UEFA, pode ajudar a limpar o meio de campo e abrir espaço para as mudanças que desejam.

Ventilou-se a possibilidade de um racha na UEFA, por alguns motivos: a inserção e forte articulação que a ECA teria, a crise pela qual passava a FIFA, e principalmente o fim do termo de comprometimento que obrigava os clubes europeus a disputarem as competições da UEFA. Como afirmaram grandes jornais europeus, (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/27/european-clubs-breakaway-fifa-uefa)
esse termo expirará em 2014, o que abriu brechas para a conspiração. Basearam-se inclusive nas declarações de alguns dirigentes desses clubes, como o próprio Uli Hoeness, então presidente do Bayern Munich, “Caso essa democratização não ocorra a curto prazo, os clubes europeus vão proclamar a sua independência. Será uma verdadeira revolução. O futebol não merece estar a mercê de gente como Blatter e
capangas”.

Sondou-se que desse rompimento da ECA com a UEFA surgiria a European Super-League (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/27/european-clubs-breakaway-fifa-uefa), numa articulação muito parecida com a ocorrida na Inglaterra: os clubes romperiam com a entidade governante e passariam a gerir o seu próprio torneio. O torneio teria a participação de 20 clubes, modelo bem reduzido se comparado a atual Champions League, cujo calendário extenso incomoda os gigantes europeus.

Acontece que, de alguma forma, a tática da ECA parece ter mudado. Seja por visualizar que o momento ainda não é o ideal, ou por ter sido tal história do rompimento desde o princípio um blefe, a realidade é que Rummenigge afirmou, em 4 de Agosto que enquanto eram o G14, tinham um plano claro de rompimento, o que “se tornou uma idéia não mais viável”. Alguns afirmam que o receio dos clubes de menor porte é que o racha poderia causar o banimento das suas Federações. (link http://www.insideworldfootball.biz/worldfootball/europe/9503-is-blatter-fit-to-run-
football-asks-head-of-european-club-association)

Que realmente motiva essa guerra?

“A resposta curta é: dinheiro. Muito dinheiro”. Foi assim que Matt Scott definiu o eixo central dessa guerra que move o futebol europeu, em um artigo muito pertinente
para o jornal britânico The Guardian (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/27/uefa-champions-league-european-revolt?INTCMP=ILCNETTXT3487). Localizado no centro do futebol-negócio (link para texto sobre futebol-empresa que está no Outras Palavras), Scott visualizou como nos anos mais recentes, o perfil dos grandes investidores e proprietários de clubes mudou.

Ele avaliou que antigos nomes como Silvio Berlusconi, dono do Milan, barão das telecomunicações e ex-Primeiro Ministro italiano; e Roman Abramovich, proprietário do Chelsea e dono de um imenso conglomerado de empresas na Russia, tinham nos clubes de sua propriedade interesses políticos ou mesmo de ordem pessoal. Mas que não necessariamente se preocupavam com os balanços negativos nas receitas dos seus “brinquedinhos” ano após ano.

Realidades que os diferenciam de Malcolm Glazer, norte-americano proprietário do gigante Manchester United, que também é magnata do petróleo. A utilidade que um clube do porte dos Red Devils lhe confere é a de gerar receitas para sustentar seus outros negócios. Fazendo com que a renda gerada pelos torcedores (para ele apenas meros consumidores) não se revertesse em investimentos no próprio Manchester. É inclusive esse um dos motivos que tem levado torcedores do clube a lutar pela sua saída (link com matéria sobre resistências ao futebol negocio no Outras Palavras)

O futebol, antes já extremamente mercantilizado e privatizado passou principalmente a partir da era Glazer, a cumprir um papel fundamental na acumulação de riquezas de grandes grupos econômicos multinacionais. Não é a toa que empresários de países que sequer tem tradição em futebol passem a investir bilhões na compra de clubes do futebol inglês, o mais aberto do mundo. Hoje, grande maioria deles é de chineses, árabes,canadenses, russos e mais enfaticamente norte-americanos.

É interessante notar como estes tempos de instabilidade no mercado financeiro tem gerado também uma insegurança aos donos de clubes. Mesmo que a tal crise não tenha atingido enfaticamente o mundo do futebol, ou que pouco se comente sobre isso, é possível notar atitudes mais comedidas das partes dos donos de clubes. Contratações menos arriscadas, venda de estrelas (a exemplo da forçada saída de Sneijder da Internazionale, jogador fundamental nos últimos anos), e a ausência de alternativas para garantir a taxa de arrecadação que um dia tanto atraiu esses investidores.

A realidade que vivem hoje os grandes clubes europeus acompanha sim a dinâmica do mercado financeiro em apuros. Foi como pontuou François Chesnais em seu brilhante e profético ensaio “Mundialização: o capital financeiro no comando”: “Os mercados financeiros são povoados de investidores que não tem nenhuma memória das crises da bolsa do passado. O grau particularmente elevado da miopia dos mercados financeiros nascidos da longa fase de altas pode engendrar comportamentos de pânico. Estes serviriam de acelerador da crise, reforçando as dimensões subjetivas dos mecanismos de propagação”.

Esse processo deve recair inclusive sobre os clubes brasileiros, eternamente acostumados a ser mero exportador de pé-de-obra para quitar suas dívidas sem fim. Cenas dos próximos capítulos. (link http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2011/08/09/o-paradoxo-o-medo-e-o-risco-dos-proximos-tempos).

É dentro dessa ausência de respostas em curto prazo que os donos de clubes europeus, agora organizados em torno da ECA necessitam, mais do que nunca, disputar a grande soma de recursos que rondam o futebol, mas que caem diretamente no bolso da FIFA e da UEFA. Ou mais precisamente, no bolso dos seus corruptos dirigentes.

A começar pelos bilhões de dólares despejados pelos anunciantes em publicidades de toda a ordem, desde placas no campo, até exclusividade na venda de produtos durante as partidas. Apenas a título de informação, num curto intervalo de 12 anos, correspondentes ao período entre 1997 e 2009, a FIFA saltou de uma arrecadação anual de 22,5 milhões de dólares para a assustadora cifra de 1 bilhão (link http://sports.nationalpost.com/2011/08/01/is-world-soccer-headed-for-a-revolution/#more-41555)

Outro ponto fundamental que almeja a ECA é a deliberação sobre a quantidade de participantes nas competições. Nos últimos anos tanto a Copa do Mundo como a Champions League cresceram consideravelmente em número de participantes e fases classificatórias. Medidas que acarretam mais custo para os clubes, mas ainda mais renda para as entidades governantes. Assim como a convocação de jogadores de salários astronômicos que não são pagos pelas Federações nacionais, que lucram muito com as partidas. Só a Copa do Mundo de 2010 garantiu 3,7 bilhões para a FIFA, do qual foi repassado o valor irrisório de 40 milhões como compensação para os clubes que cederam seus craques. O valor final girou em torno de 100 mil dólares para cada agremiação. (link: http://www.guardian.co.uk/football/2011/jun/14/fifa-international-friendlies-europe-clubs?INTCMP=ILCNETTXT3487), sem contar o valor arrecadado em amistosos, que ganharam mais tres datas anuais.

O principal ponto de disputa entre todos eles, sem dúvidas é a venda dos direitos de imagem. Num momento de total convergência tecnológica e de um futebol enquanto um espetáculo acessível em todos os cantos do planeta, os valores são quase incontáveis no acerto com as maiores empresas de comunicação do mundo. Grande parte fica na mão da FIFA e de UEFA. Não foi a toa que numa matéria no Guardian, o depoimento de um dirigente de um grande clube inglês não identificado dizia: “Há um imenso potencial financeiro desperdiçado no futebol da forma como ele está”. (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/27/european-clubs-breakaway-fifa-uefa)

“A ECA é o que chamo de ‘Cavalo de Tróia do Futebol Moderno’”, foi o que afirmou em entrevista Fred Elesbão, economista, colaborador do site TorcidaGanhaJogo.blogspot.com. “Funciona mais ou menos como a máfia do Clube dos 13 no Brasil. Uma instituição criada pelos ricos para defender o interesse dos ricos”, prosseguiu.

Fred, que é torcedor do Náutico, um dos clubes renegados do C13, que morou na Alemanha e acompanhou de perto o futebol local, endossa a argumentação de Malcolm Clarke, presidente da Football Supporters Federation, entidade que representa mais de 180 mil torcedores europeus: “A única coisa que podemos concordar com a ECA é que a FIFA precisa ser democratizada”. Clarke também aponta como os clubes de menor porte acabam por se tornar reféns dos gigantes dentro da Associação, ganhando menos que os clubes centrais, mas receosos de estar fora da instituição e “perder a boca”. (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/28/fifa-fans-super-league-opposition?CMP=twt_gu) Panorama muito parecido com o que vivem os times periféricos do C13.

Num artigo para o Guardian, Rob Smith também não teve meias-palavras para definir o grande jogo de belos discursos que ronda essa guerra: “Só há uma coisa a fazer.

Cancelar a temporada 2011-12 e decidir se queremos o futebol enquanto aquele jogo que nos apaixonamos desde crianças, ou o grande e avarento fiasco que ele se tornou. Se for o caso do ultimo, definitivamente é o momento de parar o futebol”. E continua “[a ECA] deseja fazer o Futebol 2.0, semelhante ao antigo, mas com o dinheiro indo para ela ao invés de ir para FIFA e UEFA”. (link http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/28/the-fiver-european-breakaway-threat?
INTCMP=SRCH)

Assim como no caso brasileiro, essa batalha se mostra uma escolha entre o ruim e o pior, na qual estamos ainda procurando a “menos pior” saída, mesmo sem saber qual é ela. O problema central, que aqui se mostra, é que ainda não há de fato uma organização em massa dos torcedores capaz de colocar um novo elemento nessa história: o daqueles que vivem do futebol para o futebol.

Enquanto o jogo estiver dividido entre duas ou mais forças que buscam nele apenas o beneficio econômico, a cada batalha finalizada, mais perdem os torcedores. As mudanças desejadas pela ECA não representam em nada o que desejam os torcedores europeus: ingressos mais baratos, direitos de torcer e de se inserir no clube, a não venda das agremiações, e tantas outras vontades expressadas no recorrente grito de “Não ao Futebol Moderno”, que sai das arquibancadas.

Democratizar as entidades governantes do futebol é um mínimo. Mas e os clubes, continuarão sendo usados como um brinquedo na mão desses bilionários? E os torcedores, continuarão sendo tratados como consumidores frios e arrivistas que pouco se envolvem com as cores e símbolos que fizeram a historia de tanta gente? E os estádios serão novamente demolidos e adulterados para satisfazer o planejamento de marketing de uma determinada empresa que comprou o seu nome?

A nossa tarefa histórica enquanto torcedores, conscientes da natureza da político-econômica do futebol moderno, continua sendo a de politizar todos os fans, supporters, tifosi e hinchas para que tomem os seus clubes de assalto. Lutem pela democracia interna, disputem os conselhos e façam com que o futebol funcione para o próprio futebol e não para o interesse privado de poucos milionários que se apropriaram dele.



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