segunda-feira, 25 de julho de 2011

notas do jogo de domingo e do pós oba-oba

1. não é o fim do mundo perder pra uma equipe como a do cruzeiro, que foi, com o atual elenco, o melhor time dos primeiros meses do ano;

2. entretanto, chega a assustar o conformismo da torcida frente ao que aconteceu, querendo dizer que perder pontos em casa - o que não se pode admitir em campeonato algum - é coisa do dia a dia, normal de acontecer;

3. os mesmos torcedores que deixaram o pacaembu falando isso, chegaram lá com aquele papo oba-oba de "quero saber em qual rodada fechamos o título", "já é campeão, agora a meta é ganhar invicto" e afim;

4. entao antes de retomarmos o raciocínio de não poder perder em casa, vale questionar esses torcedores eventuais sobre sua própria coerência: se tinha que ser campeão invicto, onde é normal perder em casa pro cruzeiro?

5. pois bem: se temos um time completo com relação a elenco, se temos um conjunto que, apesar do Tite, tem se mostrado consistente, e, principalmente, se, como corinthians, almejamos a glória máxima na competição, não podemos fugir do roteiro que norteia os pontos corridos: pontuar o máximo em casa e pontuar o máximo possível fora;

6. claro que o cenário ideal não se concretizou, nem deve se concretizar com clube algum... é o que falamos no item 1: não é o fim do mundo essa derrota, nem é nada sobrenatural, em se tratando de clubes grandes; tanto quanto não foi surpresa nenhuma de nossas vitórias fora de casa; tanto quanto podemos normalmente chegar em sete lagoas e devolver o placar;

7. a preocupação é que o oba-oba de plantão levou a uma situação perigosa, especialmente na torcida. Quando vai tudo bem demais, as pessoas - especialmente os torcedores eventuais, que só aparecem em séries como a atual, e dos quais falaremos logo abaixo - tendem a mascarar os problemas, exaltar números e agir como se tudo fosse uma maravilha só;

8. esquecem, essencialmente, que esse nosso time, apesar de muito bom, contou com a sorte em diversos momentos: contra bahia, o segundo tempo contra o vasco, a postura de defesa total contra o flamengo, todos jogos em que tivemos que dar chutão, à la tite;

9. e sorte, se ajuda, não é um fator permanente. Temos que impor o jogo com nossa competência e ter a sorte como amuleto; quando a coisa flui ao contrário, contando com a sorte para impor o placar, a tendência é que, em algum momento, a coisa saia do trilho;

10. contra o cruzeiro, por exemplo, nosso treinador não soube ler o jogo. Nossos três jogadores de meio foram marcados individualmente, e o emerson, por mais que tenha feito um bom pivô (apesar de algumas pataquadas abaixo comentadas), não oferece a opção de troca com os pontas, como vinha fazendo o liedson, abrindo a diagonal pro wiliam e tirando um marcador da área para a chegada dos elementos surpresa;

11. e, vendo o desespero do time depois de sofrer o gol, não soube, novamente, ler o jogo. Alex deveria ter entrado antes, no intervalo, montando uma linha de 4 jogadores na meia (ele, danilo e os volantes, com wiliam e jh fazendo o giro à frente, em emerson). Assim atropelaria o esquema de marcação, pois ou o cruzeiro acompanharia o time todo no mano a mano, ficando sem sobra, ou faria com que um meia ou atacante nosso não tivesse marcação individual;

12. portanto, quando o fator sorte não colaborou, especialmente naquele balão de canela que o renan aceitou - o chute pode ter sido da precisão que queiram nos vender, mas goleiro do meu corinthians não pode tomar gol assim -, deu no que deu;

13. e repetimos: claro que queremos a sorte jogando conosco, mas ela não pode ser nosso fator de decisão...;

14. sobre as estréias, o ramon tem muito a mostrar, tanto quanto o renan. Principalmente: ambos tem que entender que aqui é corinthians, que é superação, que tem que ser homem pra aguentar o peso dessa camisa e jogar com a fiel, que aqui não cabe pipocada, não cabe firula, não cabe preciosismo... mas que também relevamos a pedreira que ambos pegaram, seria outra coisa fazer o primeiro jogo em casa com o ceará... então que tenham entendido;

15. e quanto ao emerson, é bom no pivô, cumpre o papel de infernizar a saída adversária e tudo mais. Mas chega de firula, precisa deixar aquele tanto de enfeite em casa e empurrar a bola pra dentro do gol... se for o caso, de bico mesmo... bico e bicicleta vale um no placar, e o que importa é somar os 3 pontos do jogo e garantir o caneco;

16. não dá pra tolerar mais uma jogada que começa com a roubada de bola de um zagueiro e um arranque rumo ao gol, terminando em nada porque o cara parou a corrida pra esperar o defensor chegar e tentar o drible. Não pode um cara que se diz tão bom deixar de cruzar, com dois atacante e dois defensores na área, pra tentar pedalar por mero enfeite e sair com bola e tudo. Chega.

17. então que tenha servido de lição pro time, que absorvam o que deve ser melhorado, apesar do tite, e aproveitemos esses próximos jogos pra retomar - e até aumentar - nossa vantagem.


* pós-nota - o blog segue defendendo que a venda de ingressos privilegie quem tiver comprovante de compra dos 3 últimos jogos em casa. Assim, quem está no pacaembu em todo jogo - em qualquer ocasião - não corre o risco de ficar sem ingresso, perder pra quem tem tempo de ficar dia inteiro na internet, ou tem grana pra negociar cambistas ou fieltorcedor de terceiros.

Esse pessoal que chega de vez em quando tem que entender que é ali na arquibancada que perpetuamos o corinthianismo, que vivemos o corinthians nosso de cada dia, e que, tamanha é a importância de nosso papel na revulação do povo, que ali existe sim uma conduta a ser seguida. Lealdade, humildade e PROCEDIMENTO.

Então quem vai uma vez por ano e quer chegar na bancada, falando especialmente da amarela, devia, na humildade, e em nome da lealdade para com os irmãos de luta e para com nosso corinthians, conversar com algum amigo de organizada - e todos conhecem um - para ao menos saber como é a pegada que se segue ali. Ou, melhor ainda, chegar antes na organizada, conhecer, associar, participar das palestras de novos sócios, entender a dimensão daquele universo e o que aquilo representa historicamente.

Bancada não é lugar pra ir uma vez e fazer cara de mau pra foto do perfil da rede social. É lugar de luta, lugar de perpetuação do espírito corinthiano.

Notem (antes das críticas): o blog é contra a elitização do futebol, a favor das bancadas abertas a todos... é direito nosso estar lá, basta ter o ingresso... a crítica é com quem chega vez ou outra, só porque acha que vai ser campeão invicto, e não respeita a tradição que é seguida ali, se não desde 1910, desde 1969...

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