quinta-feira, 30 de junho de 2011

Falso Moralismo

mais um ótimo retrato da revolução corinthiana (original aqui)




Tem um samba do mangueirense Nelson Sargento que se dedica aos cidadãos que praticam o título acima. Clique aqui pra ouvir a música com o Paulinho da Viola.

Esta canção bem serve de tema musical para as semanas que mobilizaram a hipocrisia e a medida correta do ódio ao Clube do Povo.

Só esta raiva explica o comportamento de alguns vereadores de São Paulo no episódio da aprovação das leis de incentivo ao Fielzão e a cobertura dada pela mídia cor-de-rosa ao assunto.

Falo sobre isso como paulistano exilado, mas nem por isso desconectado das coisas da nossa Paulicéia.

O que esteve em votação na Câmara foi o seguinte: o Corinthians quer usar um benefício JÁ EXISTENTE para o desenvolvimento da Zona Leste de São Paulo. Para isso precisa de uma autorização que transforma 420 milhões a serem pagos de impostos à Prefeitura em títulos, vendidos no mercado financeiro. O recurso proveniente da venda dos títulos vai para o Fielzão.

Esta lei foi aprovada durante a gestão Marta Suplicy com o objetivo de levar investidores e desenvolvimento a uma das regiões mais carentes da cidade. Itaquera tem quase 500 mil habitantes sem acesso ao essencial, como segurança, saúde, cultura e lazer. Sim, porque a gente não quer só comida – já ensinaram os Titãs.

O mesmo veio de preconceito e ódio ao povão que assistimos há algumas semanas no episódio da Gente Diferenciada e a construção do Metrô em Higienópolis, voltou a se manifestar.

Desta vez escamoteado de preocupação com o “dinheiro público”.

Alguém consegue explicar porque um shopping center pode se beneficiar desta lei – legítima e correta – mas o Corinthians não?

Por que a renúncia fiscal vale para financiar esportistas em todo o país (que também está certo!) e não o estádio do time mais popular de São Paulo? Mais do que isso: por que um centro de lazer e cultura do tamanho que terá o Fielzão, incrustado num dos bairros mais carentes da cidade, não pode receber incentivos fiscais?

Pergunto mais: por que é legítimo usar R$ 3 bilhões de DINHEIRO PÚBLICO para construir um monotrilho entre algum lugar e o Panetone?

Vi os reaças de sempre argumentando que o Monotrilho seria uma propriedade do Estado – e não particular.

Achei coerente. Estes mesmos caras sempre defenderam que o Estado Brasileiro tem que construir coisas para aquela mesma meia dúzia. Por esta lógica, um monotrilho do Estado apropriado pelos mais ricos da cidade é correto. Mas um clube “particular” ser proprietário de um bem apropriado pelos milhões de paulistanos mais pobres não tem cabimento.

Essa foi a história deste país, desde Cabral até o dia que um peão resolveu virar a mesa.

O que eles não sabem é que o Brasil mudou.

Agora é a vez do Povo: Vai Corinthians!

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