sábado, 4 de junho de 2011

estádio do corinthians: a real preocupação que a fiel deve ter

30 de maio de 2011: dia em que, enfim, tiveram início as obras onde futuramente estará construído o estádio do Sport Club Corinthians Paulista.

Contudo, e no melhor exercício de nosso papel fiscalizador, nós, acima de tudo corinthianos, temos que ficar atentos à realidade da obra e às projeções de suas conseqüências ao povão, elemento essencial da alma de nosso time.

Devemos, pois, tomar por base a carta aberta pela qual o presidente Andres Sanchez, na véspera de nosso centenário, anunciou não somente que teríamos nossa casa, mas que a faria com base em diversos estudos de custo e viabilidade, pelos quais deixava à construtora Oderbrecht o dever de erguer nossa arena, para 48.000 torcedores, captando junto ao BNDES o custo-referência de R$ 335 milhões.

Ocorre que tal proposta deixou de existir. Do estádio para o Corinthians, passamos a vislumbrar um estádio para a abertura da Copa do Mundo de 2014, o que nos onerava com aumento da capacidade de público e cumprimento de uma série de exigências da FIFA para participação no evento.

Num primeiro momento, o valor global da obra pulava para um bilhão de reais, o que representa aumento de 198% em cima do valor original, praticamente o triplo do previsto. A diretoria alvinegra pretende chegar num teto de R$ 650 milhões, aceitando um acréscimo de 94% no orçamento.

Nosso presidente sempre repetiu que o projeto é de um estádio para o Corinthians, e que qualquer alteração, mesmo que motivada pela Copa, não seria arcada pelo clube, que também não aceitaria, em qualquer hipótese, verbas públicas a fundo perdido, o chamado dinheiro do povo. Contudo, os novos valores estão na mesa, já deixaram por vencido o original, e nada se falou acerca de quem e como se fecharão as contas.

De acordo com os termos iniciais apresentados pelo Corinthians, se a Oderbrecht captasse mais que R$ 335 milhões, o excedente viria para o clube; se captasse menos, nossas receitas cobririam a diferença. Mas e agora, com um custo no mínimo dobrado, como será feito financiamento e a quitação da obra? Quem avalizará o valor integral e quais garantias o Corinthians entregará ao financiador?

Não sabemos.

Sabemos, porém, que o estudo de demanda inicial de nosso estádio prevê arrecadação em torno de R$ 100 milhões anuais. Para tanto, se considerarmos que a nova arena terá, num ano, a mesma quantidade de jogos de 2010, no Pacaembu, cada jogo terá que render cerca de R$ 3 milhões, o que implica num ingresso médio de R$ 75,00 para uma média anual de 40.000 pessoas por jogo.

Caso a média de público se mantenha igual a de 2010, 24.606 pessoas considerando paulista, libertadores e brasileiro, o valor do ingresso sobe para cerca dos R$ 125,00:




A tabela acima implica em duas possibilidades: novo estádio com setores “populares” vendidos a preços caríssimos, ou redução dos setores populares, que atualmente correspondem a 70% do Pacaembu, considerando arquibancadas verde e amarela, setor família e tobogã, trocados por tribunas, camarotes e afins, visando atrair um público que arque com ingressos elevados e sustente o plano inicial de arrecadação – o que, diga-se, não tem ocorrido no Pacembu.

Setorizacao Pacaembu



E a possibilidade de majoração nos ingressos é real e constante na gestão Sanchez: em 2009, quando da contratação de Ronaldo, o presidente afirmou categoricamente que não aumentaria os setores populares. Bastou um mês, entretanto, que os R$ 15,00 subiram para R$ 20,00, até atingirem os atuais R$ 30,00 em 2010.

Nos setores mais caros, a variação foi ainda maior, razão pela qual o torcedor de numerada migrou para arquibancada e tobogã, tirando dali o ‘povão’ habitual e mudando, inclusive, o perfil do torcedor popular, como cada vez mais temos visto no Pacaembu.

Variacao dos ingressos por setor - Pacaembu



Assim, mais do que fiscalizar o cumprimento dos prazos e a correção dos andamentos de nosso estádio, devemos questionar à diretoria como a conta dessa obra será paga, para que, num breve futuro, não tenhamos que ver nosso patrimônio, nossas categorias de base e nosso departamento de futebol comprometidos e sucateados para arcar com dívidas contraídas numa órbita fora de nossa realidade.

Devemos questionar, também, como se dará nosso papel na nova casa: queremos nosso espaço em quantidade suficiente para abrigar a imensidão que possui a fiel torcida, num valor condizente à realidade econômica do verdadeiro torcedor corinthiano, ou seja, setores populares a preços populares.

É o que o povo corinthiano merece. Lutemos por isso!

E vai Corinthians!



• Tabelas e estudos desenvolvidos pela Associação Nacional dos Torcedores (www.torcedores.org.br)

3 comentários:

  1. É isso aeh, Vardema!

    Perguntas, perguntas, respostas, respostas.

    Nos ensinaram há décadas que o acompanhamento crítico crítico e militante do Corinthians é a única saída para fezer Corinthians do Corinthians!

    Grande abraço,
    Guilherme.

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  2. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/929649-metro-preve-desapropriar-22-mil-msup2sup-na-zona-sul-de-sp.shtml

    Essa é a mais absurda e mais perdulária das obras da Copa-2014:

    o MONOTRILHO DO MORUMBI.

    R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais).

    Fonte dessa grana: o erário (= cofres públicos = nossos bolsos).

    Agravante que impressiona: é a única obra de mobilidade urbana vinculada à Copa-2014 prevista para a cidade de São Paulo.

    Para beneficiar o estádio das madames, o Morumbi - um estádio que está fora da Copa!!!

    Onde estão os "militantes das causas sociais", que pregam que as verbas públicas previstas para a Copa devam ser transferidas para "causas mais nobres", como a construção de hospitais, de escolas, de viveiros de preservação de animaizinhos silvestres, etc?

    Onde estão os falsos moralistas (tão preocupados com o Fielzão) que nada falam sobre isso?

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