sexta-feira, 10 de setembro de 2010

nossa arena, o pacaembu e os estádios da copa

Comecemos o presente post analisando o seguinte link: http://www.nytimes.com/2010/09/08/sports/08stadium.html?_r=2&partner=rss&emc=rss

caso prefiram uma versão em português, procurem no blog do tironi, no lance, alguns comentários sobre a matéria.

Abrasileirando a questão dos estádios e de eventuais prejuízos, o blog não pode deixar de fazer dois paralelos de casos evidentemente correlacionados: um sobre os estádios da copa do mundo, outro das implicações que advirão com a iminente construção de nossa arena (a qual, em apoio ao solicitado pela diretoria, não chamaremos de nome algum, tendo em vista a provável - boa - negociação de naming rights que realizaremos).

Consideremos, em primeiro lugar, que as arenas mencionadas no link inicial nem sempre são empreendimentos construídos com verba pública; contudo, consideremos também que muitos críticos xiitas, quando alegam que o padrão de organização de jogos fora do Brasil é infalível, não observam a questão por inteiro (e diga-se, quando assuntos políticos, ideológicos e econômicos são tratados com fanatismo, quase sempre se pautam em teorias cegas, de quem ignora que equilíbrio é formado de peso e contra-peso).

Pois bem: a matéria trata de estádios/ginásios de grande porte, em centros esportivos tradicionais (num país em que o investimento esportivo e o desenvolvimento esportivo ocorre desde a base), que, após serem trocados por arenas mais novas e não terem mais utilização em eventos de massa, tonraram-se verdadeiras fontes de gastos públicos - como exemplo, apenas o estádio em que os times de Nova York e Nova Jersey utilizavam para futebol americano representa um custo mensal de U$ 18,00 (dezoito dólares) por habitante.

O Pacaembu, que, segundo Aléssio Gamberini, da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo, tem um custo anual de manutenção na casa dos R$ 3.000.000,00 (R$ 250.000,00 mês), é alugado pelo Corinthians, em 2010, por cerca de R$ 60.000,00 por jogo.

Significa que, e considerando o máximo de 3 jogos em casa por mês, tanto no campeonato paulista quanto do brasileiro (quatro jogos é exceção - a variação é de dois a três jogos em casa), a prefeitura ainda fica com um rombo de R$ 70.000,00.

E note que nem com a porcada isso se supre: nosso contrato é de valor fixo porque a outra alternativa é de pagar, a título de aluguel, 12% da renda para jogos diurnos e 15 % em noturnos, ultrapassando em muito o valor fixo (temos renda média de R$ 1.200.000,00/jogo, o que, a 12%, daria um aluguel de R$ 144.000,00/jogo). Contudo, a porcada tem esse contrato de renda, visto que, quando muito, coloca 10.000 torcedores na casa, o que torna a renda baixa, e o aluguel proporcional mais barato que o fixo.

Notem que os mesmos 3 jogos por mês, com casa cheia, seriam suficientes para o Corinthians arrecadar o valor de manutenção anual do estádio e ficar com mais 10 meses livres para faturar limpo na renda de cada jogo.

Dessa forma, um contrato de arrendamento, nos termos inicialmente requeridos pelo Corinthians, nos garantiriam uma casa, pelo período de 20 anos (prazo oferecido pela municipalidade; nossa diretoria queria, no mínimo, 30 renováveis por mais 30), período em que a manutenção e as melhorias necessárias seriam nosso encargo, mediante pagamento de quantia a ser estipulada entre as partes.

Nessa parte da quantia é que houve o impasse: a prefeitura pedia R$ 200.000,00. Seria algo a se pensar, se não houvesse nenhuma proposta efetiva de estádio. Tanto que a nota de nossa diretoria, quando do anúncio do pré-projeto de itaquera, mencionava que todas as tratativas de arrendamento, concessão ou aquisição do pacaembu junto à cidade de São Paulo foram esgotadas sem que houvesse acordo.

Mas pudera: o que é melhor, uma casa temporária a 200.000,00 (digamos que 40 anos por 400.000,00, e depois ficamos novamente sem estádio, ou dependentes de uma renovação contratual incerta), ou uma casa própria a 350.000,00 (nossa propriedade, ad eternum)?

Claro que o cenário acima não deixa dúvidas, ainda que o pacaembu esteja em nossa história e seja, de maneira insuperável, o centro esportivo melhor localizado na capital paulista.

Ainda que consideremos que nossa casa tenha um custo de manutenção intermediário ao do pacaembu e da porcaria do morumbi (estimado, segundo o excelente jornalista/blogueiro e bambi vitor birner, em 8.500.000,00/ano - 710.000,00/mes), na casa dos 600.000,00/mes, os mesmos três jogos em casa ainda nos renderiam 3.000.000,00 (contando que teremos a mesma média de valores de ingressos e público).

É valor parelho ao que já temos, mas usando a diferença para arcar e manter nosso próprio patrimônio. Fora isso, o pacaembu possui limitações de tombamento que não permitem modificar sua estrutura, confirguração externa e panorama interno, o que basicamente impede obras de aumento de público e reformas estruturais de alto impacto.

Não obstante, a associação defenda pacaembu, chamada por este que vos escreve de "associação ofenda pacaembu", conseguiu vetar eventos musicais noturnos no estádio, o que, por óbvio, impede rendimentos de aluguel e/ou bilheteria à municipalidade.

Atualmente, além do aluguel, o corinthians vem arcando, por meio de "acordos" impostos pela prefeitura, com melhorias no entorno e obras de manutenção que, em decorrência da propriedade do estádio, pertencem à prefeitura paulistana.

Agora pegue tudo isso e transfira aos cofres públicos. Considere que as sardinhas usam o pacaembu apenas esporadicamente, e a porcada terá (?) em breve um novo estádio, onde seus 10.000 torcedores desfrutarão de 40.000 poltronas. Quem pagará os mais de 3 milhões anuais? Claro: estádio público = conta pública.

Se foi por má negociação com o corinthians, ganância de dirigentes ou políticos, isso não importa mais. Com nossa arena construída, a cidade terá um monumento abandonado (o que pode implicar em diversas e sérias consequencias à área, que pode virar refúgio de moradores de rua, ser alvo de depredação, dentre outros - e parte dessa culpa será da "ofenda pacaembu"), uma conta a pagar e princípios de bom funcionamento da administração pública a respeitar.

Quanto isso vai custar por cidadão, até a copa saberemos...

E o pior é saber que com a copa o mesmo está prestes a acontecer em várias capitais do Brasil.

Afora São Paulo, caso nosso estádio fique pronto e seja efetivamente utilizado, Porto Alegre (onde a turma do chororô prometeu - e tomara que cumpra - efetuar às próprias expensas (?) as obras necessárias) e Curitiba, onde ainda existem possibilidades de reformas ou construção de estádio pela iniciativa privada, todos os demais espaços da copa serão objeto de investimento governamental.

Vejamos caso a caso: a Bahia não cuidou do patrimônio estadual, que foi condenado, demolido, e será reerguido às custas do país todo. Mineirão e Maracanã, este último especialmente, são alvo de reforma ano sim, ano não, e nunca ficam prontos para eventos de porte internacional, exatamente porque o interesse local é de sempre mamar nas tetas das constantes reformas.

E os piores casos: Manaus, Belém e Cuiabá, que mal possuem times de futebol conhecidos nacionalmente, terão arenas bancadas pelo povo brasileiro, com capacidade para receber copa do mundo, e que servirão exatamente para que depois?

Tal como o pacaembu, todos esses estádios representarão - afora o custo de obras - enormes gastos de manutenção. Já pagaremos pela construção deles. Falta saber quanto nos custará para que os mantenhamos de pé...

É uma pena...

Por fim, conforme comentado no twitter, mais cedo, como corinthiano, a parte que salva disso tudo é mostrar que é possível construir um estádio de alto padrão, valendo-se unicamente de seu poder privado de captação de verba/crédito, e fazer uma obra economicamente sustentável e, posteriormente, rentável, como, aparentemente, se mostra nossa arena...

aguardemos e fiscalizaemos...

e vai corinthians!

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