quarta-feira, 28 de julho de 2010

teu passado é uma bandeira - democracia

Após um péssimo brasileiro e um paulista mediano em 1981, seguido da saída de Vicente Matheus da presidência, assume o cargo máximo do Corinthians o empresário Waldemar Pires, trazendo como peças-chave de sua diretoria nomes como Adilson Monteiro, Sérgio Scarpelli e Washington Olivetto.

Waldemar, empresário e, à época, opositor político no clube, aceitou e incorporou o sistema de gestão proposto pelo Diretor Técnico Adilson Monteiro, que defendia mais proximidade e diálogo entre diretoria e jogadores.

Nesse cenário, e contando com o liberal Mário Travaglini como treinador, o discurso politizado de Sócrates, Wladimir e, pouco tempo depois, Casagrande ganhou força no elenco, que passou a decidir tudo - de horários de treino a contratações - na base do voto igualitário, em que o posicionamento do roupeiro tinha o mesmo peso da opinião do presidente.

E mais: mesmo em meio à ditadura militar, a equipe decidiu externar as virtudes da gestão democrática, fosse por meio de faixas, fosse estampando mensagens apoiando as diretas e estimulando o voto popular no uniforme de jogo.





E a mensagem de campo foi otimizada pelas excelentes campanhas (bi-campeonato paulista em 82/83 e derrota apenas nas semifinais do brasileiro, em 1982) e pelo bom elenco, composto por Biro-biro, Zé Maria, Zenon, Eduardo...

Olivetto, que abrira mão de seu salário em prol do clube e do movimento, criou, com intuito de divulgar a Democracia Corinthiana em todo o Brasil, um conselho de notáveis, do qual faziam parte personagens como Boni, Rita Lee e Toquinho.



Na fiel torcida, que já contava com o engajamento político-social dos Gaviões (vide post anterior), o reflexo apareceu, sobretudo porque a possibilidade de manifestação era potencializada na aglomeração dos estádios, e a luta e a propagação da democracia ganhou força.



Manifestações contrárias também ocorreram. Tanto oficiais quanto internas, com Leão repudiando o extremismo liberal do elenco.

Quando Vicente Matheus, contrário ao sistema adotado por Waldemar, retomou o poder em 1984, viu nas saídas de Sócrates para a Itália e de Casagrande para a roseira da vila sônia a derrocada da Democracia.

Contudo, a grandiosidade e a ousadia do movimento culminaram num exemplo de auto-gestão igualitária que jamais será apagado, tanto que a mensagem transmitida ecoa até os dias de hoje, mesmo após o rompimento definitivo com o sistema ditatorial.

Teu passado é uma bandeira, Corinthians, e é por isso que o que importa e o que basta é ser corinthiano e ser parte dessa história. Isso sim é conquista!

E VAI CORINTHIANS!

Nenhum comentário:

Postar um comentário